sábado, 31 de maio de 2014

#95 Estudar o que interessa


Nunca percebi muito bem aquela malta que não gosta de estudar.

Atenção que isso não implica gostar de estudar tudo! Mas se for possível escolhermos o que queremos estudar, nem assim? 

No meu caso, a licenciatura serviu entre várias coisas para me disciplinar um pouco e dar mais corpo a uma visão pluridimensional e multifacetada da vida.

Várias foram as formações que se lhe seguiram, "disto e daquilo".

Mas... há muito tempo que escolho estudar o que me apetece. Formal ou informalmente.

E encontro surpresas fantásticas pelo caminho... Sei que comigo, será assim até morrer (fisicamente).

Hoje (sábado), inicio mais uma formação intensiva, que culminará se tudo correr bem: em fins de Setembro, com diploma passado de validade internacional. (não que seja isso o que me motiva, mas é afinal o garante do estudo apurado do método em causa e da sua legitimação no exercício profissional. Quando se manipulam energias, deve-se saber fazê-lo).

Entro em profundidade e com os dois pés no mundo das terapias, porque isso de só me curar a mim, não é o meu propósito de vida. Nunca foi. A filantropia habita em mim.

Os remédios do acaso, ganham pois e a cada dia que passa, novas formas para além deste papel cibernético, transpostas que são do mundo das palavras, para o mundo em que orbitamos, lá fora.

Só assim vale a pena. Das palavras: aos actos. 



sexta-feira, 30 de maio de 2014

#94 O puzzle


O puzzle ganha forma. Peça sobre peça.

Umas ficam, outras saltam fora. Outras, um dia irão sair para dar lugar a novas peças, sem no entanto apagarem a sua marca.

O edifício vai-se portanto construindo, em bases sólidas... mesmo? Se é resistente a todos os terramotos, inundações e outros episódios, é algo que nunca sabemos: até as catástrofes chegarem.

Dependerá da qualidade das fundações. Dependerá da qualidade do projecto. Dependerá do método de construção em si. Dependerá da manutenção do edifício.

Na verdade, vamos construindo vários "edifícios" ao longo da vida. Uns mais resistentes que outros.

Alguns, preferimos demoli-los, detoná-los e começar de novo. Outros, são permanentemente remendados e um dia se destroem.

Ainda outros, são corrigidos e depois duram para além do expectável, quem sabe mesmo para sempre.

O importante, é usufruirmos deles e sermos felizes, apreciando-os e ocupando-os com as nossas próprias vidas.

Ninguém disse que era fácil esta tarefa de pedreiro livre, de arquitecto cósmico, de desenhador espacial.

Mas mesmo com todos os percalços, o prazer em construir e desconstruir a vida, ainda que com todos os dissabores: vale bem a pena.

Puzzles multicolores, sabores doces e amargos, multiplicidade de sensações.

Densidade na vertigem, viagens intemporais, silhuetas desfocadas em escala cinza.

Nem bom nem mau. Nem certo nem errado. O princípio do fim, que começa com o fim do princípio. Qual paradoxo tosco: mas verdadeiro.

Ah pois.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

#93 Os padrões shipibo


Interessante como à medida que se aproxima mais um "fim de semana", me vêm à memória sensações que já experimentei em algum hiato espaço-temporal, criado com esse objectivo. 

Como um intervalo planeado pelo Criador, para dar alguma luz à sua criação...

De alguma forma, a recordação se aviva e me apercebo das transformações positivas que de mim se apoderaram para sempre.

Os típicos padrões shipibo e as mais variadas formas geométricas envolventes, por entre uma multiplicidade de cores. Chakras desalinhados, energias soltas e dispersas para todos os gostos.

Ícaros tribais, uns de guerra e outros agindo como se de agulhas de acupunctura se tratassem, certeiros ao alvo, cumprindo a sua missão.

Máscaras maias, felinos com fartura rodeando e inspeccionando, mariposas reluzentes e esvoaçantes. A Natureza no seu esplendor, o gigante pulmão ambiental, respirando com dificuldade face a todos os erros que nós humanos temos cometido.

A sensação da vertigem, do mergulho no nada. A viagem pelo cosmos adentro, interestelar. O prazer de viajar e de parar em suspenso no tempo. A experimentação de uma e de todas as sensações. A história de todas as eras, ali contada só para nós, com toda a paciência de quem ensina a uma criança a dar os seus primeiros passos.

O dolby surround da mente, os super-poderes todos ao mesmo tempo.

A transformação final e os seus derivados. A busca desenfreada pelo entendimento, a chegada da paz. A harmonia e o equilíbrio.

A mudança para o ser completo, o sorriso ainda mais fácil e sincero. A meditação ainda mais profunda, a mentira mais difícil, a vida mais cheia, o fim de todo e qualquer medo da morte, a certeza na crença da divindade plena.

O sol mais forte que a sombra. O fim do ego, o reforçar da compaixão suprema.



Esta sim, é a bebida que de amarga se torna doce e não o seu contrário. A verdadeira purga global firme no seu propósito, em nome de todos e de um só.

SOMOS TODOS UM.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

#92 Do zénite ao nadir


Ter o mundo nas mãos é tarefa pesada, só sentida quando disso realmente nos apercebemos.

Na realidade, todos partilhamos esse "fardo". Porque cada um de nós tem o seu mundo nas mãos... e também contém o poder da interferência no mundo dos outros.

Assim sendo, ser feliz chateando o menor número de pessoas, sem as perturbar no seu caminho a menos que a tal sejamos convidados, é um desiderato complexo.

Traçar geometricamente o perímetro onde somos necessários, onde devemos/podemos interferir, onde queremos estar sós, onde queremos estar acompanhados, etc, etc... é difícil.

Por isso, o melhor é agir com o coração e dar corpo à intuição que nunca nos abandona.

Por vezes, ela tarda em concluir o seu propósito, mas está sempre certa.

A distância é pois grande ou pequena, consoante a sentimos. Tal qual a passagem do tempo.

Há pessoas que ficarão para sempre. Outras, passaram num segundo. 

Mas cada qual com a sua missão, inscrevendo a sua marca cósmica, tatuada a quente no nosso corpo celestial.



terça-feira, 27 de maio de 2014

#91 O aumentar do fosso


Interessante como testemunho na pele, o que apenas sabia na teoria.

Quanto mais a consciência desperta, maior é o fosso entre nós e um sem número de coisas. E de... pessoas.

O que suspeitávamos errado, (outrora vivendo em nós mas apenas intuído), adquire o carácter de certeza avassaladora e consciente. E algumas pessoas por mais bem que nos tenham feito, e qui ça nós a elas: se afastam, por estar cumprida a sua missão ...(a nossa para com elas e a delas para connosco).

A vibração muda. Algumas pessoas partem para longe... E nós igualmente partimos naturalmente, de algumas delas...

A beleza neste fenómeno, é que tudo isto é feito sem grande dor aparente. Pelo menos para quem está desperto.

Assume o papel de acontecimento, que está fadado a acontecer.

No meio disto e à medida que assumo o papel de participante "acordado", mas como sempre "observador", tacteio aqui e ali algumas desilusões.

Mas "apenas se desilude, quem se ilude". E por outro lado, a verdade é que consoante a lente, assim é feita a leitura. A visão diferente: vê de diferente forma.

Que ninguém se afirme como: "sábio de tudo". Como: "detentor da verdade plena"

Esse é um caminho. Doloroso, mas cheio de alegrias também.

E no fundo, não esqueço, não esquecerei ninguém. Todos(as) foram importantes, imprescindíveis para chegar onde cheguei.

Onde chegarei? 


Não sei.



Mas o meu eterno e sentido: OBRIGADO.



segunda-feira, 26 de maio de 2014

#90 Desertos


Oásis distantes, que vislumbro já
em cores tórridas e quentes
viagens intensas daqui para lá
comigo vão todos, mesmo os ausentes

Escolhas, caminhos, percursos
quilómetros que levo de caminhada
mais silêncio menos discursos
em consciência É a minha estrada

Desertos sedentes de água intensa
pés descalços do calor feridos
renovada a fé em velha crença:
fusão com o Uno em tons coloridos 


Medito: logo, sou
cheguei e agora 

e s t o u 



domingo, 25 de maio de 2014

#89 Dois terços hoje não foram votar


Hoje saí um pouco. Era domingo e estava bom tempo.

Muita gente nas esplanadas, malta nas praias. Sei que o Rock in Rio estava cheio.

Dois terços da população, pura e simplesmente ignoraram as eleições europeias. 

Um povo fustigado pela troika, aliás perdão... fustigado sim pela incompetência e pela mentira despudorada de várias gerações de políticos que passaram pelo arco do poder, através dos seus respectivos partidos. 

E também perante a ineficácia dos que nunca lá chegaram, porque não conseguiram mobilizar o eleitorado em torno das suas propostas...

Ou pela fraca qualidade das mesmas, ou dos protagonistas, ou por falta de máquina partidária, ou por estupidez de parte dos eleitores. Que também a há, muitas das vezes.

Há pouco decidi olhar um pouco para a televisão, coisa rara já lá vão uns anos.

Todos os partidos clamam vitória e surgem os rostos do costume, salvo uma ou outra excepção.

O que sei é que hoje meditei. Li. Fiz yoga. Estive com algumas pessoas que gosto, pensei noutras com as quais não estive.

Uma vez mais olhei o mar com calma, observei a natureza e estive em paz.

O meu domingo foi mais rico, porque dediquei tempo à "rosa" que quero que floresça em mim. Uma rosa feita de amor, e de consciência expandida em torno do que cada vez é mais importante:


VIVER, AMAR, SENTIR:


S E R

#88 Razões para não ir votar hoje


Pela primeira vez desde que fiz 18 anos, não exercerei o meu direito de voto. 

Vou abster-me de ir às urnas, sustentando-me na inutilidade desta União Europeia, cujo actual modelo faliu em tudo quanto se propôs.

Permanecem dramáticas assimetrias entre o norte e sul. Permanece uma trágica discrepância entre o que os povos pensam e o que é feito, quer pelos seus governos, quer pelos seus eleitos.

A Europa não é unida. Não há portanto: União Europeia.

Permanece uma tomada de assalto por parte do BCE que empresta a quem quer, como quer, com as taxas de juro que lhe apetece, consoante o credor.

A União Europeia não é portanto uma união, mas a tomada de assalto por parte de uns, a outros, escamoteada muitas das vezes em migalhas emprestadas a preço da escravatura eterna, ou em nome da autorização do saque nacional. 

O que não conseguiu ser imposto pela guerra de sangue, toma agora muitas vezes cor, através da guerra económica.

Nos últimos vinte anos, Portugal andou para trás. 

Qualquer que seja a questão nacional (cultura, educação, saúde, justiça, economia, finanças, credibilidade das instituições, o estado de depressão colectiva): Portugal está muito pior, pese embora a melhoria de muitas das suas infra-estruturas, que agora ficarão vazias, entregues ao abandono, num país que caminha para a desertificação, envelhecido e deprimido.

A noção que temos na sociedade contemporânea de "participação democrática", deriva da possibilidade de os cidadãos poderem influir efectivamente nas decisões que vão afectar as suas vidas.

Todos sabemos que a democracia não se esgota em eleições, ainda que seja precisamente nestas onde todo o cidadão, do mais rico ao mais pobre, utiliza o voto como um instrumento activo, na finalidade de agir sobre a realidade política.

Hoje não vou votar, porque sei que isso seria um acto inútil, ilusório e sem qualquer consequência de fundo. 

E ainda, porque a abstenção consciente, hoje em dia, é a melhor forma de expressar o repúdio por este sistema em que nos encontramos.

Relembro sem dúvida todos quantos lutaram para que eu hoje tenha o direito de voto. Respeito-os e os não esqueço, mas sei bem que o princípio subjacente ao voto é "o suposto poder do qual o mesmo estava investido". Tempos idos, esses.

Noutros actos eleitorais, reavaliarei. Mas confesso-me pouco crente, abrindo talvez uma excepção para as eleições dos protagonistas locais das nossas respectivas terras, que mais facilmente são levados ao escrutínio diário e que mais dificilmente podem fazer o contrário do que prometem. 

Mas a ver vamos.


sábado, 24 de maio de 2014

#87 Responsabilidade



Ontem fui a um jantar de aniversário, onde reencontrei alguma malta com quem me tenho dado ao longo dos anos, nalguns casos décadas.

Participei e observei, como sempre o faço (vício de sociólogo) as conversas, os olhares, a forma de pensar. Muito conversámos e nos rimos todos!

Tenho-lhes um carinho muito grande, mas na verdade estou cada vez mais longe de um sem número de coisas...

Seríamos para aí uns cinquenta talvez e ainda eu o único a pedir um jantar diferente, porque entendo que há coisas que já não quero.

Alguém que muito estimo me perguntou:
- Então mas só vais comer isso?

E saiu-me:
- Sabes, para teres umas coisas, por vezes tens que abdicar de outras. Essas para mim, são mais importantes.

E essa minha amiga, anuiu com a cabeça e pareceu-me que entendeu.

Algumas opções, estão agora presentes na minha vida com menor regularidade e outras cessaram mesmo, dando entrada galopante a novos hábitos.

Na verdade, o caminho de cada um é sempre sozinho, ainda que tenhamos que estar atentos aos sinais que estão um pouco por todo o lado e muitas vezes em quem connosco se cruza. 


Com todos aprendemos, porque "todos somos mestres uns dos outros" e desengane-se quem pensa que sabe tudo! 

Mas se aumenta a consciência: aumenta a responsabilidade.

Se aumenta a consciência, urge aumentar a compaixão. E igualmente cessar com a arrogância intelectual, com vaidades e afins. Impedir cóleras, raivinhas e angústias desproprositadas.

Cada um está no seu momento e tenta encontrar o ponto de equilíbrio.

Uns estão mais "perto", por ventura outros mais "longe"... 

Mas também "nós" o fomos já e desconhecemos se "lá" voltaremos.

A noção de "nível", é pois muito relativa. Cada um está onde precisa de estar e encontrar-se-à quando tiver que ser.

Não podemos é virar as costas ao que sabemos: uma vez LÁ chegando. É chegar e colocar em prática! Sem pausas.


É pois grande: a responsabilidade do DESPERTAR. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

#86 DOZE horas de meditação por dia?


DOZE HORAS DE MEDITAÇÃO POR DIA? DURANTE DEZ DIAS?

Emoções fortes é o que muitos procuram durante a vida. De alguma forma também eu o tenho feito.

O desconhecido, a mim sempre me atraiu. Desde miúdo. 
Uns fogem, a mim atrai-me.

Sempre li e documentei-me fortemente, antes de todas as viagens interiores ou de transformação, que fiz. 

Só assim sei estar na vida, difícil que foi em criança, conseguir resistir à asma que me tentava levar, com as complicações daí decorrentes.

O tempo passa. Umas coisas começam a fazer mais sentido que outras e a definição de emoções fortes, também ela se altera.

Por ventura, até se complica.

Este ano, tem sido "um ano daqueles". Soma-se o aumento da intuição, a outras características que saúdo.

À medida que avançam os dias, percebo que o tempo que chegou a mim, é de excepção. 

Mas... quantos de vós aguentariam, ou se submeteriam a este calendário? 

04:00    Chamada
04:30-06:30Meditação na sala ou no quarto
06:30-08:00Desjejum e descanso
08:00-09:00Meditação em grupo na sala
09:00-11:00Meditação na sala ou no quarto, segundo as instruções do professor
11:00-12:00Almoço
12:00-13:00Descanso e perguntas individuais com o professor
13:00-14:30Meditação na sala ou no quarto
14:30-15:30Meditação em grupo na sala
15:30-17:00Meditação na sala ou no quarto, segundo as instruções do professor
17:00-18:00Lanche e descanso
18:00-19:00Meditação em grupo na sala
19:00-20:15Palestra do professor na sala
20:15-21:00Meditação em grupo na sala
21:00-21:30Perguntas abertas na sala
21:30Repouso. Apagam-se as luzes


Assim é um Retiro de Vipassana, a técnica cuja história conta que Buda utilizava, quando ascendeu. 

Inscrições limitadas, lista de espera complexas, questionário.

Uma vez lá, as refeições são vegetarianas, não há telemóveis, nem computadores, nem livros, nem música, nem as pessoas falam umas com as outras, nem se olham sequer, até ao último dia em que se comunica.

Chegou a minha confirmação para um do retiros. Ainda faltam uns belos tempos, mas sei que vai ser uma experiência "daquelas".

Talvez um dia vos conte: mais esta escada que vou apanhar. 


quinta-feira, 22 de maio de 2014

#85 Nem eu consigo estar calado hoje


Dever cumprido. 

Foi um dia carregado, que começou pelas 06h20 (o outro terminou pelas 04h mais coisa menos coisa).

Na verdade, na apresentação que me competiu fazer do livro das minhas queridas amigas Ana Almeida, Carla Rocha e Marta Moncacha, "As mulheres não sabem estar caladas": revisitei eu próprio alguns universos interiores.

Dor, solidão, saudade, esperança no futuro, regozijo, ironia, paz, tristeza, introspecção, desprezo, desilusão, alegria, magnanimidade - foram algumas das sensações que experimentei. 

Mais uma grande sessão, com a chancela da Associação Luchapa, no Palácio do Egipto em Oeiras.

No fundo, a verdade é que o tempo nos faz cada vez mais sábios. Mais experientes. Mais equilibrados, mais focados.

E precisamente no foco, reside o que mais interessa: a PAZ INTERIOR.


O resto não interessa para nada. Testemunhei isso hoje, uma vez mais.

Pelas 06h45 estarei novamente a praticar ashtanga yoga, mas agora: ainda vou meditar. Boa noite.



#84 Força de vontade


São quase 02h30 da noite de quarta para quinta, quando escrevo este texto.

Cheguei de um jantar que terminou pelas 23h, precedido de uma reunião. 

Já em casa, ainda arranjei tempo para ler o livro que apresentarei amanhã (já hoje, quinta) de três ex-colegas minhas da Câmara Municipal de Oeiras, que colocaram mãos à obra e editaram um livro. Um orgulho, estas meninas!

Pelas 06h45 (daqui a 4h30 horas) estarei a praticar ashtanga yoga, seguido da prática regular de meditação transcendental.

Depois duche, nova roupa, pequeno almoço e seguir para reunião em Lisboa logo pela manhã, seguida de dia cheio porque: "é preciso ganhar o pão", honestamente.

Ainda passarei nos meus Bombeiros do Dafundo, para saber como estão todos e assinar documentos urgentes se os houver, entre afectos vários a quem dedica a sua vida a salvar outras.

Não me lixem com o argumento de "falta de tempo", para isto e para aquilo... 

Querer é poder! 

Força de vontade? Tenho de sobra. Querem um pouco? É só pedirem.



quarta-feira, 21 de maio de 2014

#83 Debaixo do nosso nariz


Na busca pela espiritualidade, ou digamos antes, "por sermos melhores pessoas", acontecem coisas engraçadas.

Especialmente porque quando "despertamos", as coincidências tornam-se visíveis, a intuição aumenta exponencialmente e somos invadidos por uma calma que nos desmonta.

Claro está que as respostas vêm ter connosco, uma vez iniciado o caminho.

E algumas surgem desafiadoras, perguntando: "Como é que nunca me viste?"

E de facto é verdade. Andamos adormecidos, trôpegos pelas contas para pagar, pelos horários a cumprir, pelas regras estabelecidas, pela tristeza e amargura ventiladas por todo o lado onde nos viramos.

Parece nunca haver esperança a um modelo alternativo de vida, a uma nova postura, a um novo caminho.

Tanto que parece pré-definido. Inabalável, imutável.

Mas uma vez iniciado o percurso, o sorriso apodera-se ainda mais e na verdade descobrimos que há muito karma para alterar.


Mãos à obra.


terça-feira, 20 de maio de 2014

#82 Recomeçar



O tempo avança e não volta atrás. 

Inúmeras vezes sou invadido por uma nostalgia feroz. Imagens de outrora, recordam-me vivências presas num espaço-tempo, do qual só eu detenho a chave.

Mas também me chegam reflectidas outras imagens neste espelho... imagens "do que poderia ter sido" ou "do que já não será", fruto das opções que vamos tomando ao longo da vida, das pessoas que se vão afastando, dos caminhos que vamos seguindo.

É uma estranha saudade, esta, "do que não vivi". Do que possivelmente: já não viverei.

O futuro faz-se construindo e edificando a cada dia que passa. Os erros que cometemos, especialmente quando os compreendemos, definem-nos através da memória da dor, marcada no nosso corpo espiritual.

Há karma que podemos alterar... outro não. Mas que ao menos estejamos conscientes, para que uma vez alcançado esse estado, quem sabe suprimamos algumas falhas. E cresçamos, um pouco mais.

O perdão tem que surgir, primeiro que tudo a: nós mesmos. De NÓS, para nós... 

Nem sempre é fácil, especialmente quando o EU espiritual ganha ainda a sua consistência neste débil corpo físico, que se atrapalha, escorrega e cai por diversas vezes.

Mas se persistirmos no objectivo, algum dia se fortalecerá e não mais escorregará!

Chegamos ao ponto derradeiro do mergulho em oceanos de dor, é certo... mas sorrindo: porque a cada dia existe a possibilidade de um novo recomeço. De um novo princípio.

E quando olhamos para trás... que viagem, esta!

Com as condições que tínhamos, podíamos fazer melhor? Certamente! ...e não o fizemos... 

Mas... e agora que novamente avaliámos, despertámos milimetricamente mais um nível e já o sabemos?


Resta-nos uma vez mais, tantas vezes quantas necessárias forem:


R E C O M E Ç A R



sábado, 17 de maio de 2014

#81 Teoria dos Relógios Dessincronizados - apontamento


Mas quem é que ainda não passou por isso?

Certa vez há muitos anos atrás, era eu ainda um jovem adolescente, tinha a mania de teorizar sobre muitas coisas, com um velho amigo, um verdadeiro irmão mesmo, que ainda hoje se mantém.

Questionávamos "o tudo e o nada" e à boa maneira sociológica (que acabou por se tornar a nossa área académica de intervenção) escrevíamos volta e meia alguns ensaios, que depois eram discutidos e aperfeiçoados até à exaustão.

Relembro desta vez um, produzido por mim, que era a "Teoria dos relógios dessincronizados", que neste momento revisito, ainda que brevemente.

Dizia eu, por contraposição à tese da existência de apenas uma alma gémea ao longo da vida, que o nosso problema era: a dessincronização.

Pensemos em cada um de nós como um relógio que quando encontra outro com os ponteiros na mesma hora, se apaixona. E depois, ao longo da vida, por este ou por aquele motivo, "o relógio de um, anda a velocidades diferentes do outro".

Ciclos que mudam pela educação, pela vivência, pela experiência, por tudo um pouco. E aí, dá-se a dessincronização.

Por hipótese, a "alma gémea" pode ser aquele(a) desconhecido(a) que connosco se cruza no caminho. 

Pode ser? Bom... pode até já "ter sido" em tempos, mas ter passado(a) despercebido(a) por não nos termos cruzado quando os ponteiros "estavam afinados". Ou poderá ainda "vir a ser", mas de novo: nos não cruzarmos...

Por isso, no fundo, a arte é a de acompanharmos a mudança uns dos outros. A de conseguirmos permanecer em estado de contemplação e de eterna aprendizagem, respeitando a diferença e amando-a, se possível até.

Porque talvez nós mesmos já "tenhamos sido assim" ou ainda "venhamos um dia a ser", com a inevitável mudança que ao longo da vida estamos sujeitos(as).

A vida está recheada de ensinamentos. Estamos de facto aqui para aprender! 

...e quando aprendemos a arte de dominar a passagem do tempo e de consequentemente por magia o "suspender": vivemos o amor incondicional, que não tem fim. 

Porque é: 


ETERNO.


#80 Saudades do que não vivi


Dias de sol que sabem a África. 

Dias que rebuscam paisagens escondidas... algumas vislumbradas já, nesta vida.

O cheiro da terra molhada, os olhos nos olhos, o toque sem medo, o sorriso aberto, o calor que nos invade e preenche totalmente.

A pureza mais genuína, a ignorância original que nos surge sob a forma da inocência desconcertante, que nos mostra que o que sabemos: afinal de pouco nos serve verdadeiramente.

A Natureza firme e avassaladora, o seu poderio esmagador, o pulmão do planeta... mas também o coração.


Saudades... Do tanto que ainda não vivi.


  

sexta-feira, 16 de maio de 2014

#79 Epá, gosto de ti


De facto, não sendo simples, também não é assim tão impossível.

Parar com os tabus ou preconceitos. Parar com a moral vigente. Parar com o "ser o que querem que tu sejas". Parar com o "fazer o que querem que tu faças".

Ok. Nem sempre dá para parar com tudo de uma vez.


Mas aos poucos, "chegamos lá". E até lá: "vivamos o mais possível", mesmo que seja à porta do abismo, no limiar da vertigem, a um passo do holocausto.

"O perigo é a minha profissão" - era o 007 que o dizia? 


Subscrevo. Gosto disto. Sabe-me a mel.


#78 Humildade


O caminho (o do TAO, o do meio) vai avançando. E se nele caminhamos, naturalmente nos sentimos mais seguros, mais conhecedores, mais conscientes, mais despertos.

Mas é precisamente nesse momento, em que nos devemos de novo questionar. Apelar a essa dúvida interior constante, que nos inquieta e precisamente primeiro nos retém, para de novo nos impulsionar, mas com ainda mais força e mais certeza.

É por isso vital, nunca acharmos que sabemos tudo. Que temos todos os dados em nossa posse.

Até porque não existe um "tabuleiro de xadrez", mas vários. Seremos peões nuns, reis noutros. Mas que o sejamos conscientes, a fim de que afinal façamos parte de algo substancialmente maior.


É igualmente vital não fazer a crítica pela crítica. É fundamental saber ouvir. É essencial saber respeitar as opiniões dos(as) outros(as) e qui ça aprender com elas. 

Mas que nunca nos desviemos do que nos diz a nossa intuição...

No meu caso pelo menos, mesmo sem a respeitar todas as vezes: demonstrou-me estar SEMPRE certa.